20 de dez. de 2008

Sleeping Beauty

Era uma vez uma princesa em seu lindo castelo de cristal, ornado de flores belíssimas, em tons pastéis e símbolo de toda sua pureza e leveza. Não havia madrasta má, e sequer dias nublados, para nossa angelical criatura, que vivia a cantalorar pelos campos de lírios. Brancos, amarelos, rosas... Ah, e o perfume enternecia! Singelíssima criatura cuja maior verdade era sentir as belezas na natureza. Assim crescera, somente assim vivera. Sabia cantar, cozer, coser, colher, citar, compor, comportar-se. E a tudo aprendera magnificamente, com grande maestria.

Eis que surge uma criaturinha sem tato sequer, em meio a relva. O príncipe. Cheio de pompa, galanteador, pisando em flores com suas butinas cheias de lama, apresenta-se:


- Sou príncipe de tudo o que vês além da colina. Vês?


E sem perguntar o nome da pobre ouvinte, inicia uma conversa enfadonha sobre o trabalho dos artesãos, o comércio, os ofícios, a nobreza, as caçadas...

Tu podes ser otimista, claro, e pensar que nossa princesa trocará seus interesses pelos bem mais interessantes assuntos do grandessíssimo príncipe. Eles casarão, obviamente, terão filhos e ela sentira um vazio quase indescritível, para toda a eternidade.

Ou se partíssemos do pressuposto que essa princesinha é, sim, uma Speaking Beauty veríamos essa mocinha meiga perdendo as estribeiras:

- Veja bem, o senhor quer saber? Toda essa enrolação pra me levar aos teus aposentos está obsoleta, carísssimo. Vá para a meretriz que te pariste!

Ou quem sabe nossa mocinha desse inveja a Maquiavel. Esperaria o solene ato para contar aos quatro ventos sobre um instrumento pequeno.


Que te apetece?

Mulheres solteiras uni-vos.

Um comentário:

mainina disse...

hahahahahaha. Gosto tanto de você, Miss... Instrumento me lembra "troca". E que se deixe estar o comenario sem noção.