27 de dez. de 2008

A Cidade e as necessidades

Em meio às frustrações, incertezas, aos vazios existenciais, pergunto-me: o que é terapêutico? De TPM, sem fluoxetina, sem namorado, nas férias do meu terapeuta, próximo a 2ª fase da FUVEST, nas gritarias cotidianas de meus pais, esta é uma pergunta merecedora de resposta imediata.
To make matters worse, o dia estranho não coopera. Céu azul-cinza, cheio de nuvens e sol escasso entre elas. Querer ficar em casa não é uma opção. Observo pela janela prédios cinzas, sujos, tortos. Tudo cinza.

“-Sim, é talvez tudo uma ilusão... E a cidade é a maior ilusão!

[...] Certamente, meu príncipe, uma ilusão! E a mais amarga, porque o Homem pensa ter na Cidade a base de toda a sua grandeza e só nela tem a fonte de toda sua miséria. Vê, Jacinto! Na Cidade perdeu ele a força e a beleza harmoniosa do corpo, e se tornou esse ser ressequido e escanifrado ou obeso e afogado em unto, de ossos moles como trapos, de nervos trêmulos como arames, com cangalhas, com chinós, com dentaduras de chumbo, sem sangue, sem febra, sem viço, torto, corcunda – esse ser em que Deus, espantado, mal pode reconhecer o seu esbelto e rijo Adão! Na Cidade findou a sua liberdade moral: cada manhã ela lhe impõe uma necessidade, e cada necessidade o arremessa para uma dependência: pobre e subalterno, a sua vida é um constante solicitar, adular, vergar, rastejar, aturar; rico e superior como um Jacinto, a Sociedade logo o enreda em tradições, preceitos, etiquetas, cerimônias, praxes, ritos, serviços mais disciplinares que os dum cárcere ou dum quartel...”

Não mais me esqueci do discurso de Zé Fernandes na Basílica de Sacré-Coeur, cuja argumentação é com certeza uma das mais bem elaboradas a cerca das cidades; mérito de Eça de Queirós. Apropriado seria ter um parque para caminhar, ver pássaros... Ah, isso é terapêutico. E visto a minha impossibilidade de tal momento, fico com um café e uma boa leitura.


Fica a minha perguntas às Beauties: o que é terapêutico para vocês?

4 comentários:

Anônimo disse...

ouvir música.
sem qualquer sombra de dúvidas!

e namorar, andar na praia...

=]
beijos, su

Fernanda Natasha disse...

fazer nada, ou fazer tudo.
nós, seres humanos, e nossos extremos...

mainina disse...

se namorar é terapêutico, eu to fudida :P
(não liga, Ana. Isso é só solidão)

Acho que não há terapia. Acho que tudo é uma questão de conformar-se ou não com as coisas.

Que bom que eu acredito na minha profissão.

Nat disse...

Oh Gosh...

Estou num momento que nem isso eu sei responder...
Vocês sabem quando tudo parece enfadonho, parece que tudo é rotina, parece que o marasmo não vai embora nunca mais...

Que venha 2009, e que se vá essa sensação...

PS: TPM mode on