27 de dez. de 2008

Acordei. Escovei os dentes, tomei café da manhã. Assisti televisão, nada me toca. Banhei-me. Então, escolhi a roupa mais discreta e mais autêntica. Escovei os dentes novamente. Calcei sapatilhas.
Caminhei até o trabalho. Imagino agora, o que devo ter pensado. "Estou atrasada". Sempre estou.
Não pensei nas árvores, na garoa, nos vizinhos que sabem de onde vim. Pensei no atraso. Raramente pensamos o que gostaríamos, depois, de ter pensado. Raramente pensamos de verdade.
Desenvolvi minhas tarefas... Descobri o que querem alguns dos homens de chapéu. Eles querem casas, eles querem conforto, eles querem coisas. Descobri o que querem algumas das senhoras de saia. Elas querem roupas, elas querem dar presentes, elas querem coisas. Almocei. Voltei ao trabalho. Ainda não descobri o que quero, raramente penso de verdade.
Finalizei minhas tarefas, planejei ler um livro, ir ao mercado, lavar minhas roupas. Preferi conversar virtualmente. Preferi não pensar com afinco.
Gosto de poder determinar minhas escassas ações.
Choveu novamente. Voltei aos meus assuntos pouco profundos. Sorri. Troquei minhas roupas. E então, somente então, dormi.

Um comentário:

mainina disse...

Espero, honestamente, que você não use chapéu nem saia.

E quem são as pessoas que não se vestem dessa forma? Deve ser o mesmo tipo do sapato 36.

Sei lá, acho que a gente nem tem tanto controle assim se pensa ou não. Às vezes vem aquele choro guardado, não sei de onde... Ah, eu sei de onde. Só não sei que sei, sabe? E se toca uma música, eu só quero andar de bicicleta de novo pelas ruas de Santos, às onze da noite, céu pouco estrelado, mil árvores, só pra descansar do dia longo.

X. Nostalgia estranha.