24 de dez. de 2008

Espírito Natalício


Se Jesus tivesse nascido no século XXI, os três Reis Magos teriam chegado à manjedoura com presentes bem simbólicos:

Por ser ele o Senhor das Riquezas, nosso Jesus ganharia algumas ações das empresas que apresentaram menos flutuação neste ano;
Por ser o Senhor dos Céus, ganharia um jatinho para fazer rápidas pontes aéreas, facilitando seu trabalho milagroso;
E por ser o Senhor dos Espíritos do mundo dos mortos, receberia um IPod. Já que todos que tendem a usar essa meleca viram zumbis estabelecendo contatos mediúnicos com algum universo paralelo.

Essa coisa de presente é muito complicada nos dias de hoje. Nasci e, infelizmente, cresci numa família em que há uma relação indecente entre o quanto se gasta em presentes e o quanto se ama o próximo. É, e veja bem, a coisa é mesmo exponencial e diretamente proporcional. Quanto mais eu atolar meu cartão de créditos com presentinhos irrelevantes, os quais provavelmente serão jogados em algum canto, ou esquecidos, mais eu te amo.

Se fossem só presentinhos e lembrancinhas,vá lá. Mas há ainda a típica roupa nova de Natal.
Ah, para tudo, cara!

Você está me dizendo que vai à festa de aniversário do menino Jesus, num estábulo, em meio à palha, e cujo pai e mãe são, respectivamente, simples marceneiro e dona de casa (arrã, olha pra porra do teu presépio!) com essa roupinha apropriada? Ah, falô!

Se fossem somente presentinhos e lembrancinhas e roupinhas, tudo bem. Mas é claro que a gente precisa de muita comida. Mais ainda do que a nossa pança pode suportar. Até mesmo porque a gula não é um dos 7 pecados capitais, os quais matam brutalmente os preceitos do Cristianismo. Ok, você não é cristão.
Então isso quer dizer que você pode usufruir do prazer orgiástico da comilança. Parabéns! Até porque ficar atolado é uma sensação agradabilíssima.

Se não fosse tudo isso, mas ainda tem os remédios do dia seguinte para dor de cabeça, indigestão, náusea. Tem ainda os excessos de elogios aos pratos alheios, as roupas alheias, a casa alheia, a árvore de Natal alheia, a (porra) do presépio alheio etc etc

Um mar de hipocrisia e excesso, eis o que é típico e tradicional no século XXI.

Quem sabe a porra do presépio lembre você de que pessoas viveram (e ainda vivem) em meio à simplicidade.
Sim, a simplicidade seria um valor nobre exaltado no dia de hoje.


Ainda bem que Jesus não nasce hoje.


Um comentário:

mainina disse...

Ainda bem que Ele não nasce hoje. E ainda bem que não é da minha família. Acho que seria muita tristeza pra um salvador só.