31 de dez. de 2008

Em 2009 quero...

Dias de pleno sol com brisa fresca ou dias de chuva gostosa, que limpa a poeira e arrefece;

Passeios no parque, em meio às árvores, ou caminhadas no concreto, em meio aos automóveis;

Conhecer novas músicas, novos livros, novos pintores ou aproveitar os mesmos já apreciados, com todas as lembranças que deles advêm;

Por que mesmo que o mundo não seja como, às vezes, desejo, é preciso apreciar e enxergar a vida por prismas diferentes.

365 dias de café-preto na caneca do Pequeno Príncipe; de banhos com sabonetes de erva-doce; de sorrisos de complacência; de banana amassada com granola; de saudades dos amigos ausentes e de lembranças das férias;

Fazer 1 verdadeira amizade; chorar mais 1 vez vendo Luzes da Cidade; entender de verdade 1 conto de Guimarães Rosa; saber de cor 1 poesia do Drummond; ler mais 1 vez Machado de Assis; ir 1 dia na Igreja, pagar umas promessas;

Continuar rindo com Chaplin, Jerry Lewis e Woody Allen; continuar esquecendo que a Globo existe; continuar desejando mais e mais stand-up comedies; continuar querendo matar as telefonistas de telemarketing que ligam às 9h da noite com seus gerundismos;

Perder 5kg ou 2kg ou estar feliz por ser assim, mas desejar não ganhar nem 1 quilinho (!);

Ganhar AMOR legítimo, AMOR sincero, AMOR autêntico, AMOR genuíno, AMOR maternal, AMOR fraternal, AMOR sexual, AMOR surreal. E ser capaz de retribuir muito mais.

Por isso, em 2009 quero mesmo é tornar-me visionária, para VER muito mais.

Madame Schopenhauer, guru do pessimismo, hoje otimista, deseja a todos e a todas (?) um 2009 cheio de novas experiências.

28 de dez. de 2008

Tagarela

Eu posso falar sobre o mundo. Eu posso falar sobre a crise na economia. Eu posso falar sobre sexo. Eu posso falar sobre coisas sem nexo.

Posso falar sobre a vida, sobre rotina, sobre moda e sobre drogas.
Brad Pitt, Elvis Presley, Michael Bublé, Eric Clapton.
Violência, amizade, safadeza e maquiagem.

O sorvete de uva, a infância, a época da escola, problemas, alegrias...
... certezas e incertezas.

Alimentação, animais, internet e paz.

Eu falo dor, eu falo cor.
Eu falo sim e digo sim.
Falo não e é isso aí.

Comigo não tem meias palavras. Assim, não tem graça.

Eu falo sobre tudo, eu falo sobre o mundo.
Eu falo o que sinto, eu falo o que vivo.
Eu falo o que sou.

Mas eu gosto mesmo é de falar de amor.


[Paulinha]

Unspoken

Há batida nas entranhas. Música alta nos ouvidos, pulsação, pressão há mil por hora.

Aí você para. Acaba. Como um orgasmo não contido. Senta à beira da sala, figura invisível, só há a caixa de imagens coloridas. A pele oleosa é seu destaque, nada mais o faz brilhar.

E pra que brilhar? Qual o propósito de ser o centro, de sapatear alí no meio, ter atenção? Desejo incontrolavel e repentino de se colocar sozinho, esquecer o público, ser o personagem. Pulsação, respiraçãofegante, pressa, pressãoalta, high, topo. Está chegando de novo, vindo vindo... E acaba. Como um orgasmo não contido.

Vem prazer? Agora há apenas a letargia. A falta de vontade de dizer, de estar. Às vezes a gente podia desaparecer. Às vezes a gente podia desaparecer junto. Às vezes a gente podia parecer normal.

Vou almoçar.

27 de dez. de 2008

A Cidade e as necessidades

Em meio às frustrações, incertezas, aos vazios existenciais, pergunto-me: o que é terapêutico? De TPM, sem fluoxetina, sem namorado, nas férias do meu terapeuta, próximo a 2ª fase da FUVEST, nas gritarias cotidianas de meus pais, esta é uma pergunta merecedora de resposta imediata.
To make matters worse, o dia estranho não coopera. Céu azul-cinza, cheio de nuvens e sol escasso entre elas. Querer ficar em casa não é uma opção. Observo pela janela prédios cinzas, sujos, tortos. Tudo cinza.

“-Sim, é talvez tudo uma ilusão... E a cidade é a maior ilusão!

[...] Certamente, meu príncipe, uma ilusão! E a mais amarga, porque o Homem pensa ter na Cidade a base de toda a sua grandeza e só nela tem a fonte de toda sua miséria. Vê, Jacinto! Na Cidade perdeu ele a força e a beleza harmoniosa do corpo, e se tornou esse ser ressequido e escanifrado ou obeso e afogado em unto, de ossos moles como trapos, de nervos trêmulos como arames, com cangalhas, com chinós, com dentaduras de chumbo, sem sangue, sem febra, sem viço, torto, corcunda – esse ser em que Deus, espantado, mal pode reconhecer o seu esbelto e rijo Adão! Na Cidade findou a sua liberdade moral: cada manhã ela lhe impõe uma necessidade, e cada necessidade o arremessa para uma dependência: pobre e subalterno, a sua vida é um constante solicitar, adular, vergar, rastejar, aturar; rico e superior como um Jacinto, a Sociedade logo o enreda em tradições, preceitos, etiquetas, cerimônias, praxes, ritos, serviços mais disciplinares que os dum cárcere ou dum quartel...”

Não mais me esqueci do discurso de Zé Fernandes na Basílica de Sacré-Coeur, cuja argumentação é com certeza uma das mais bem elaboradas a cerca das cidades; mérito de Eça de Queirós. Apropriado seria ter um parque para caminhar, ver pássaros... Ah, isso é terapêutico. E visto a minha impossibilidade de tal momento, fico com um café e uma boa leitura.


Fica a minha perguntas às Beauties: o que é terapêutico para vocês?

Acordei. Escovei os dentes, tomei café da manhã. Assisti televisão, nada me toca. Banhei-me. Então, escolhi a roupa mais discreta e mais autêntica. Escovei os dentes novamente. Calcei sapatilhas.
Caminhei até o trabalho. Imagino agora, o que devo ter pensado. "Estou atrasada". Sempre estou.
Não pensei nas árvores, na garoa, nos vizinhos que sabem de onde vim. Pensei no atraso. Raramente pensamos o que gostaríamos, depois, de ter pensado. Raramente pensamos de verdade.
Desenvolvi minhas tarefas... Descobri o que querem alguns dos homens de chapéu. Eles querem casas, eles querem conforto, eles querem coisas. Descobri o que querem algumas das senhoras de saia. Elas querem roupas, elas querem dar presentes, elas querem coisas. Almocei. Voltei ao trabalho. Ainda não descobri o que quero, raramente penso de verdade.
Finalizei minhas tarefas, planejei ler um livro, ir ao mercado, lavar minhas roupas. Preferi conversar virtualmente. Preferi não pensar com afinco.
Gosto de poder determinar minhas escassas ações.
Choveu novamente. Voltei aos meus assuntos pouco profundos. Sorri. Troquei minhas roupas. E então, somente então, dormi.

26 de dez. de 2008

Feliz Natal, família!

É Natal. É tempo de agradecer à Deus pela Sua generosidade em dar à todos os membros de nossa família uma enorme língua. Isso. Essa aqui mesmo, que não cabe dentro de nossas bocas. Alguns de nós têm até uma bifurcação, aleluia Senhor, sabes como a diferença é algo que deve ser trabalhado entre nós [papo de psicólogo, porque não houve nenhum melhor que Jesus].

A bíblia, como manual do bom cristão, nos ensina a compartilhar. E é nessa época que isso mais acontece. Compartilhar informações sobre a vida dos outros só engrandece o nosso repertório de assuntos. Mas tudo bem, Jesus; uma das virtudes que mais devemos praticar é o perdão. Perdão por não ser informada do noivado de uma prima: não te chamei porque só os próximos foram convidados, cerimônia íntima. E por favor, me ajude a desfazer uma encrenca: outros membros da família não falam mais com a noiva! Imagina, aborrecer-se com uma coisa tão pequena; nem casou ainda! É, falta perdão mesmo.

Mas ainda há o Seu sangue entre nós. Não, não estou chamando-O de boi, entende, né? Falo do vinho, algo sagrado, as pessoas se tornam tão mais alegres depois dele! Não é como a suja cerveja, riscada da dieta da casa dos meus avós depois que meus jovens tios voltaram para casa urinando nas calças que suas esposas lavam e passam diariamente. Ah, sim, esqueci. O mais novinho, 42, mora com os pais, e é a mãe quem cuida de suas roupas. Quanta delicadeza.

Senhor, me ajude a não cometer o pecado da gula. Por favor, não nesse dia sagrado! Até porque, diante da farta mesa, minha família insiste em lembrar como eu fico mais bonita cheinha. Mas veja só, Pai, segundo eles, estou apenas saudável; é, assim que é bom morar sozinho.

Falando em solidão, chega a hora em que o amor é citado. Claro, essa data é propícia. Era tão bonito aquele rapaz, sua prima está noiva, todos os outros da sua idade estão namorando. Que alegria relembrar do seu ex. A família dele era uma graça, filha; a gente se dava tão bem, já era um de nós, menino bonzinho.

Bom, o importante é que nós sejamos unidos. Então, que tal um amigo secreto no dia 1º? Perfeito, aí a gente já aproveita e pede pro Papai do Céu dinheiro para 2009. Quem sabe não sobra R$10 pra lembrancinha. Lembrança que todos nós devemos guardadar desse fim de ano repleto de bondade, carinho e coerencia que reina entre nós.

E que durante o resto do ano nos telefonemos para outros fins que não pedir favores.

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É, Fer. Há uma leve frustração. Apesar de tudo, Feliz Natal, beautys.

25 de dez. de 2008

I´m not the best, fuck the rest anyway

Sei lá, meu. É natal. Parabéns pra Jesus. Mas por onde anda o espírito de fraternidade que ele propôs pra gente milianos atrás?

Estou meio de saco cheio, as usual, com a minha ética pessoal infantil tosca e exacerbada... Com as minhas escolhas, com a cidade onde moro... Mas isso é perfeitamente comum pra mim. Especialmente no natal. Vivo sorridente, saltitante, simpatissíssima e de saco cheio... Minha dialética do humor. É tudo ao mesmo tempo, mesmo fora da tpm. Ano passado, chorei baldes pq não comprei nem uma balinha pra ninguém. Sério, não sobraram nem moedas pra comprar um enfeite pra árvore de natal. Irado: esse ano, tratei de conseguir um emprego adequado, com décimo terceiro, pra poder comprar os tais presentes, e ter outros prazeres que o Mastercard (mentirosa e descaradamente) diz que o dinheiro não compra. Segue que pude participar das compras dos presentes de natal com a minha família, mas não pude estar por lá na referida data.

É engraçado, costumo compartilhar dessas e outras nóias com amigos nem tão próximos... E aí, num desses meus surtos de distribuição de segredos íntimos, recebo um super conselho, diga-se de passagem, plenamente adequado, “fer, cuidado com suas frustrações... só estou onde estou pq nunca me permiti sentir frustrações”... Foco no NUNCA. Aham. Bem possível. Deus, todo poderoso, leve o fantasma do espírito de natal (passado presente e futuro) para este ser (in)humano. Tipo... estou onde estou? Nunca tive frustrações? Don’t you have 22? Don’t you live with ur parents? Don’t you have an ex girlfriend, which who you cry every night, and tell meeeee…. But you have a nice car! Beijos, não me liga plz.

Ok, o dia que eu tiver um carro bem legal, eu vou pegar e não ter mais frustrações. É assim que funciona. Você adquire um status imediato de pessoa foda, e a vida é perfeita. O mais legal é que você, a partir desse seu status imediato, aplica conselhos, como um segredo de felicidade para outras pessoas, que devem seguir o seu exemplo. BALELA. Mentira que você nunca teve frustrações. Não, não me chame de frustrada só porque eu assumo as minhas, contemporâneas e restritas às poucas coisas que tenho a franqueza de compartilhar com... MUITA, muita gente mesmo.... ; )

Ok, amigos, ficam as dicas para os próximos papos profundos no MSN, espaço de compreensão e comunicação:
***(para todos online) Quando alguém teclar: estou triste, não diga: pois é, estou feliz.
***(quando eu estiver online) Nem sempre, quando eu me lamento da vida, estou triste... só estou fazendo uma análise, de quanto o ser humano consegue colaborar, ou fuder, com as idéias alheias...

Acho que é esse meu post inaugural, sobrenatural, sem pé nem cabeça. Feliz natal a todos. Acostumem-se com a parte do sem pé nem cabeça.
Com muita honra por ser uma speaking beauty,

Nanda Nat
é universitária, tem um trabalho temporário, é pouco diplomática, canta e faz hidroginástica