20 de jan. de 2009

A morte da última estrofe

Algumas músicas nos cabem pela metade.

Às vezes, as pessoas me perguntam "como vai?". A gente é mulher, tem hormônio demais e acorda down. E eu quero responder assim:

"Já não sei dizer se ainda sei sentir
O meu coração já não me pertence
Já não quer mais me obedecer
Parece agora estar tão cansado quanto eu
Até pensei que era mais por não saber
Que ainda sou capaz de acreditar
Me sinto tão só
E dizem que a solidão até que me cai bem
Às vezes faço planos
Às vezes quero ir
Pra algum país distante
Voltar a ser feliz"

E se me perguntam, "quais são as novidades". Sendo mulher, tendo hormônio demais e acordando up, quero responder assim:

"Um belo dia resolvi mudar
E fazer tudo o que eu queria fazer
Me libertei daquela vida vulgar
Que eu levava estando junto à você
E em tudo o que eu faço
Existe um porquê
Eu sei que eu nasci
Sei que eu nasci pra saber
Pra saber o quê?

E fui andando sem pensar em mudar
E sem ligar pro que me aconteceu
Um belo dia vou lhe telefonar
Pra lhe dizer que aquele sonho cresceu
No ar que eu respiro
Eu sinto prazer
De ser quem eu sou
De estar onde estou"

Anyway, quando o Renato Russo escreveu a maravilhosa Maurício, e quando a Rita Lee escreveu a música dela, erraram. E erraram feio na última estrofe.

O primeiro deles diz repetidamente "eu vi você voltar pra mim". A segunda fala diversas e diversas vezes "agora só falta você" - e ainda dá título à música.

Essas músicas começam tão bem, deviam ser de uma estrofe só. Matei a última estrofe das duas músicas. Sério. A última estrofe dessas músicas não define nem um pouco as minhas contradições. Sem brincadeira.

Ouçam as onomatopéias: pow, pow. Esse é o som da morte da última estrofe de ambas as músicas.


[Nanda está brava com Renato Russo e Rita Lee. Mas já já passa.]

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