11 de mar. de 2009

O mal de ser direta

[Venho por meio desta socializar certa raiva de mim mesma]

[M] - Vem buscar refrigerante comigo?
[P] - Claro, vamos lá!
[M] - Então, a gente é amigo né?
[P] - Somos sim...
[M] - E por isso você desconsidera as besteiras que eu falo né?
[P] - Hahahaha. Se eu considerasse teria que te parar de falar contigo.

Pausa para refrigerante*

[M] - Então, eu não deveria falar isso. Vou falar uma besteira.
[P] - Uhun.
[M] - É que eu gosto de você.
[P] - (...)
[M] - Tipo, muito. Mais do que eu deveria. Não devia falar isso, mas é que eu estou precisando, entende?
[P] - Entendo...
[M] - Você vai desconsiderar isso, né?
[P] - (...)
[M] - Você vai desconsiderar isso, né? (voz triste)
[P] - Vou...
[M] - Então vamos pra lá. Onde quer ir?
[P] - Onde você quiser.

Pausa para correr bem rápido

[P] - Porque você está correndo?
[M] - Por que eu estou com muita vergonha de você.
[P] - Ah, que isso. Normal.
[M] - É, normal.

Pausa para chegar em algum lugar com muitos conhecidos

[M] - Ah, meu, vocês não acham que o cabelo dele ficou muito feio assim, grande? Eu acho.

Sem esperar resposta, vai embora. O cabelo estava lindo, ele era lindo. Ele, que tocou guitarra divinamente na noite anterior, ele que virara a sensação da festa. Ele, por quem estava louca (eu sei que não é difícil).

Fico impressionada com a minha alta habilidade teatral. Na reunião de hoje, bem como em uma festa surpresa que fomos, eu não parecia ter chorado por uns tempos, nem parecia ter ficado abalada com o acontecido. A atuação me rendeu um "a Mainá está sempre sorrindo, mesmo quando está triste", que já havia sido proferido por ele em outro momento como um elogio. RS. Como psicólogo ele deveria saber que isso não é bom.

Precisa ser assim tão frenética? O dia que eu aprender a ser suave e delicada, vou ter um namorado.

E foi assim que eu joguei o piano pela janela, sem sentir a menor raiva por ele.

Ah, meninas, excluí o meu orkut. Não quero mais máscaras, não quero mágoas, chega.

*O mais interessante é que eu estava bebendo refrigerante pra não me embebedar e falar merda. O que me fode é que eu sou naturalmente embriagada.

[Mainina está deprimida, irritada, menstruada e se sentindo burra, porque não aprende com os próprios erros. Além disso, sente tristeza por perder mais um cara maravilhoso em sua vida]

6 comentários:

Fernanda Natasha disse...

Ai, nina.
AI NINA.
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI nina!

Não sei o que dizer. 90% do tempo eu penso assim, sabe. E ajo assim. Sincera e espontaneamente. Mesmo que isso possa trazer uma avalanche de problemas... Geralmente, resolvem mais problemas do que trazem.
Mas saquei que sinceridade e espontaneidade não são amigos íntimos de "sucessos" em investidas num relacionamento a dois. Saquei que se... Precisa chegar ao ponto da gente falar algo assim, pro cara se mancar, meu... É pq ele já se mancou, e ele não tava mto afim algo além de amizade mesmo. Acho que vc tbm já sabia disso. Bati a cabeça algumas vezes pra descobrir...
Bom, batamos a cabeça pra descobrir outras coisas então. E curtamos a fossa. A sua e a minha.
Ah, como eu gostaria de dizer algumas coisas... Que nunca serão ditas...

As coisas são um pouco mais complexas do que falar ou não falar, né?! As duas opções são certas e erradas concomitantemente.

Amo-te sendo uma mulher direta e cheia de iniciativa. Como vc. :)

Fernanda Natasha disse...

Ahhh
E não se esquece. Que vc é maravilhosa... Not those fucking heavy pianos.

mainina disse...

valeu, amiga...

um beijo :)

Nat disse...

Abre parênteses:
"A Insustentável Leveza do Ser" está em tudo que eu leio sobre ações humanas, tudo...
Fecha parênteses.

Agora, nada como um dia após o outro para as coisas irem se acertando com vc... "acertando" guarda dentro de si um número infinito de situações, mas vejamos qual será a no seu caso.

Gosto de ti do jeito que vc é. Não sei dizer se seu jeito é bom ou ruim para se manter um relacionamento. Mas sei lá, talvez a Fê esteja certa e nós precisemos mesmo ser um pouco hipócritas e contrariar um pouco aquilo que pensamos e sentimos em prol de uma relação.. lembro de uma frase do Sarte "O inferno são os outros", justamente pelo outro cercear nossa liberdade.. lembrei tb do último episódio do House (número 17, quinta temporada)que se chama "The Social Contract", e mostra justamente um cara que tá com uma parte aí do cérebro desinibida e fala tudo o q pensa. É foda... me fez pensar mto: até que ponto devemos fazer aquilo que é esperado para manter um relação (seja ela de qualquer tipo) e até que ponto devemos agir exatamente como nossos impulsos nos ordenam?
Bem intrigante.

Mas no fim flor, é o pôr na balança, né... os prós e contras.

Fico por aqui.
Um grande beijo...

Denise disse...

as vezes declarar-se não é a melhor maneira de resolver a situação
[passo pela mesma]
as vezes é melhor manter tudo em sigilo silencioso e que só o coração acelerado ao ver o ser amado acabe com o silêncio..............

vc é linda mainá.........

[e vcs tb meninas]

=****

B. disse...

"O que me fode é que eu sou naturalmente embriagada"

HAHAHAHA, frase perfeita. Eu costumo sempre dizer que sexta à noite eu fico bebada naturalmente, mão preciso de alcool, falo cada merda que por deus viu....hahhaha