Do outro lado há o beco escuro
E o medo dos que fogem da luz diária do viver
Na outra esquina há a lata, há o pó e a gasolina.
E o medo dos que olham e para não ver
O olhar de cima recrimina,
E o de baixo só faz esquecer
Os corpos são soltos nesse espaço,
Nessa sofreguidão contínua de uma quadra
Um bloco vazio.
Um passo em falso e o fundo vem de encontro.
Não há tentativa onde termina este buraco
E a gente pensa nos meninos, nas meninas.
E a gente não age, lamenta e chora a dor
Que sente nossa.
Mainina perdeu a prática, mas quis compartilhar com as amigas esse momento falso-poético.
Reflexão 10²³
Há 12 anos

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