NAQUELE DIA perdi-me muito cedo.
eram ruas e carros em alta velocidade e a canção do velvet ‘sister ray’ sem fim tocando ao fundo do vidro soletrada num surto frenético.
era um grupo de teatro e todo aquele barulho e eu perdida caminhando rumo a uma igreja neoclássica dentro de uma pintura do benedito calixto que alguém roubara do masp para expor na pinacoteca de santos.
primeiro evitei ir até a geladeira pegar uma cerveja gelada porque minha mãe estava na sala e a cerveja não era minha e eu não tinha mais cigarros e também não queria fumar NAQUELE MOMENTO e eu temia a inveja e a solidão da cerveja presa no gelo. frieza espontânea e arrogante quando o que está em jogo é somente sede e necessidades fisiológicas por um líquido que abstrai a vida cotidiana para uma vida alternativa.
depois veio a fome e o calor e a saudade enquanto eu caminhava sobre o palco carregando uma vela acesa com as duas mãos firmes para ajoelhar-me diante do público num estado meditativo quase como um monge um sábio um sabiá pendurado no galho mais alto da árvore frutífera camuflando o ego exposto do artista entregue aos deuses.
ENCONTREI-ME acordada deitada sobre a cama estática no final da canção. era tarde...
Reflexão 10²³
Há 12 anos

2 comentários:
genteeeeee
que bom poder comentar!!!!!!!
finalmente essa bagaça voltou!!!!!
XD
e que bom q vc voltou a postar, didi!!! ;)
Como gosto de ler seus escritos. Cheio de intensidade, cor, cheiro.
Queijo, Didi!
Postar um comentário